Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

O recalque e a ignorância por trás da frase "Ah, mas eu nunca precisei 'contratar' uma acompanhante de luxo."

 


Quando ocorre um caso de estupro com violência presumida, aqueles em que a vítima, está alcoolizada ou drogada, e o estuprador é bem apessoado sempre surgem criaturas dizendo que ele “nem precisava estuprar” para ter relações sexuais com uma mulher.
Como se estupro, em qualquer de suas possibilidades, fosse sobre sexo.
Estupro é o ápice do silenciamento da mulher.
É sobre poder e humilhação.
É sobre um homem que se apropria do arbítrio e do corpo feminino.
De outra banda, não é incomum homens medíocres baterem no peito e dizerem: “Eu nunca precisei de prostitutas para transar!”.
Sobre as razões pelas quais os homens procuram as chamadas “profissionais do sexo”- dentre as quais não me incluo, porque não ajo como uma- eu explanei melhor no ensaio “Por que os homens procuram prostitutas?” disponível no meu site, blog, redes sociais e na revista Caos Filosófico*.
A relação entre uma acompanhante de luxo e seu cliente envolve seu tempo e, de regra, sexo.
Não vou entrar no discurso das feministas radicais que dizem que muitas relações não passam de estupro mediante pagamento.
Usarei unicamente a minha experiência nesse texto.
Nenhum dos meus parceiros me procurou por necessidade, por serem feios ou deselegantes, por exemplo, déficits dos quais passam muito, muito longe.
Eles vieram até mim, inicialmente pela curiosidade causada pela fama: a professora universitária e advogada que largou a carreira para ser cortesã.
A discrição e o rosto sempre à mostra sempre atraiu homens espertos. Mais ainda o uso do nome de batismo: presume-se que sou confiável, porque tenho muito a perder não sendo.
Eles tem uma companhia excelente, o sigilo e a certeza de que não estão ficando com uma mulher louca para casar ou com transtorno de apego, dessas que grudam no cara e etc..
(Aqui “entra” a piadinha de que o homem paga a cortesã para ela ir embora depois).
Eles pagam R$ 1.000,00 por hora para ficar comigo, porque eles podem!
Têm dinheiro e querem a certeza de sexo bom.
Quantos dates ruins você já teve com as “bonitinhas” maquiadas do Tinder?
Esses caras se dispõe a pagar para não correr risco: mulher bonita, inteligente, bom capital cultural, corpo natural, tarada…
Pronto, vale à pena!
Isso sem contar a fama que é algo que pesa bastante no meu cachê desde maio de 2016.
Simples!
Não existe “necessidade” quando o assunto envolve sexo com acompanhantes como eu.
Os meus parceiros querem tudo o que, voltando ao início desse texto, os estupradores ricaços e bonitões não querem: atitude e desenvoltura à dois.
Entre aquela subespécie do sexo masculinos e os que se dispõe a pagar-me para ter a minha companhia, paira um inolvidável fato: algumas coisas, ruins ou boas, nunca são feitas por necessidade, mas por mera vontade. Unicamente por vontade.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Eu monetizei as "relações líquidas"!

Eu sempre disse que monetizei a liquidez das relações tornando-me acompanhante de luxo, mas o fato é que eu não sou uma mulher de relações líquidas, só usei o egoísmo preponderante nas relações interpessoais atuais em prol do meu descanso e sustento.


(Porque sim, é muito leve e divertida a vida de uma cronista e, há quase um ano, mestranda, que não precisa vender mais de 8 horas por dia do seu trabalho por uma remuneração mesquinha, enquanto negligencia os seus estudos e saúde, porque ninguém consegue ser tão produtivo trabalhando muito, malhando pouco e se alimentando mal!)

Enfim, eu sei muito bem diferenciar desejo, atração, sexo bom, afinidades intelectuais e química boa de amor! Amar é admirar e isso, com certeza, foi uma exceção na minha vida. Mas não na da maioria dos meus parceiros que se apaixonavam rapidamente por mim.

Devo ter amado de verdade umas 3 pessoas em minha vida, duas das quais me fizeram sentir admiração forjando virtudes. Logo, elas “falsearam” o amor que eu sentia.

Homens medíocres e egoístas fazem isso para conquistar a companhia de uma mulher bonita que, por mais inteligente que seja, não vive o tempo todo com o radar da desconfiança acionado, inclusive porque, tem boa índole. Gente muito desconfiada sim, costuma ser pouco confiável.

Bem, confesso que minha queda maior é por homens que me fazem rir, por homens divertidos e com bom gosto musical. Talvez, graças a isso, eu tenha jogado pérola aos porcos algumas poucas vezes nessa minha nada tediosa vida!

Hoje, mais do que nunca, tenho plena certeza de que, para um relacionamento dar certo, para além da admiração, do amor e do desejo recíproco, há necessidade de gostos semelhantes, de valoração de coisas semelhantes: se uma pessoa não gosta de ler, ela tenderá a menosprezar suas leituras e escrita, se uma pessoa não gosta de música, ela tende a desmerecer os seus dotes musicais, se uma pessoa não valoriza o estudo e o letramento, ela provavelmente não dará valor ao seu empenho acadêmico.

Como a frase atribuída a Einstein: “Tudo aquilo que o homem ignora, não existe para ele. Por isso o universo de cada um, se resume no tamanho de seu saber.” Logo antes de entregar-se a um relacionamento afira o saber do seu objeto de desejo, porque, dependendo da situação, ele não caberá no seu universo e você não desejará estar no dele.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

VALORE$ E PRAZERE$.

CLÁUDIA DE MARCHI

(61) 99996-4081




A acompanhante não atende telefonemas: só combina encontros pelo WhatsApp SE gostar da aparência física e forma de abordagem do pretensparceiro sexual!

Só a contate após as 09 horas da manhã e antes das 22 horas.

LEIA até o FINAL ou procure outra acompanhante!

 

VALORES:


R$ 1. 250,00 (mil duzentos e cinquenta reais) hora para encontro afetivo-sexual. 

(OBS.: a acompanhante NÃO concede abatimento em hipótese alguma).

 

R$ 1.500,00 a hora para encontro com o único propósito de dialogar (sem sexo).

 

R$ 5.000,00 (cinco mil reais) das 22h às 09h (pernoite).

 

R$ 10.000,00 (dez mil reais) para encontros de 24 horas.

 

R$ 6.000,00 (seis mil reais) a diária para viagens.

(OBS.: Neste caso o valor é passível de negociação dependendo do destino.)

 

DETALHES sobre como se desenrolam os seus encontros sexuais, entrevistas concedidas na mídia digital (G1, UOL, FOLHA DE SÃO PAULO e etc.) e televisiva (SuperPop), livros publicados, ensaios fotográficos e vídeos em www.claudiademarchi.com.br

 

Opiniões, cotidiano, textinhos e textões além fotos discretas e elegantes da acompanhante que também é escritora, você encontra no Instagram@claudiademarchiescritora2

 

SOBRE O SEXO COM CLÁUDIA DE MACHI:

 

É MULTIORGÁSTICA!

 

GOZA FÁCIL E FAZ SQUIRT!

 

SÓ FAZ ORAL SEM CAMISINHA! 

 

AMA SEXO ANAL, INCLUSIVE COM PARCEIROS BEM DOTADOS E DISPENSA QUALQUER GEL OU PRODUTOS AFINS!

 

FAZ TUDO COM PRAZER E, CLARO, COM MUITOS BEIJOS NA BOCA. (Se não gosta de beijar, nem a contate!).

 

ENFIM:

 

Cláudia de Marchi é gaúcha de Passo Fundo/RS, advogada, Especialista em Direito Constitucional pela FESMP/RS, ex-professora universitária e escritora, atualmente Mestranda em Letras pela Universidade de Passo Fundo (UPF). 

É autora dos livros Contra a maré: minha vida em crônicas e crônicas da vida e De encontros sexuais a crônicas: o diário de uma acompanhante de luxo e advogada feminista, ambos à venda nas melhores livrarias on-line.

“A cortesã de Brasília” conforme foi caracterizada pelo jornal gaúcho Zero Hora (05/06/2016) deu entrevistas para inúmeros sites incluindo Globo.com, UOL, ficando INTERNACIONALMENTE conhecida após conceder entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Tabloides do Reino Unido (como, por exemplo, o Daily Mail, Daily Mirror, The Sun, Daily Star, dentre outros) exploraram a sua história de empoderamento em face da sociedade patriarcal, hipócrita e machista. O mesmo fizeram jornais europeus, asiáticos e latinos. http://f5.folha.uol.com.br/voceviu/2017/03/historia-de-advogada-que-virou-acompanhante-de-luxo-em-brasilia-ganha-destaque-na-imprensa-internacional.shtml

Ou seja, você está diante da MELHOR cortesã no Brasil sendo a COMPANHIA PERFEITA para cavalheiros SELETIVOS, FINOS E INTELIGENTES, desde que também lhes atraiam física e intelectualmente.

 

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

Se não houver química e/ou se o beijo for ruim e/ou se o parceiro não souber fazer sexo oral e/ou se ele for rude ou mal educado a acompanhante NÃO dará sequência ao encontro. 

 

Não é não e o que o sucede é estupro. A acompanhante não faz absolutamente nada só para agradar ao parceiro. Aceite ou procure outra companhia!

 

Contatos serão aceitos apenas se realizados entre 09 horas e 22 horas.

 

A acompanhante é heterossexual. Não insista, orientação sexual não se escolhe!

 

As fotos da acompanhante NÃO possuem tratamento (Photoshop). 


A acompanhante NÃO combina encontros com homens que não julgue atraentes. Se usar foto falsa no WhatsApp será dispensado pessoalmente.


NÃO participa de festas, eventos ou despedidas de solteiro.





 

quinta-feira, 17 de junho de 2021

A abstinência sexual da mulher solteira e inteligente durante a pandemia.

Precisamos falar da abstinência sexual forçada a qual as mulheres solteiras e inteligentes se submetem durante a pandemia.

E, claro, eu posso falar brilhantemente de mim que, além de ser mulher, solteira e com uma libido alta, perdi minha vida sexual e financeira nos últimos tempos.
Entretanto, a questão é a solidão que, até a mim- uma acompanhante de luxo altamente empoderada e bem-resolvida- afetou e inquietou.
É normal para qualquer mulher solteira (heterossexual, gay ou bissexual) desejar contato humano eventualmente.
A maioria de nós precisa de beijos, de toques, de sexo. Ainda que não rotineiramente.
Ou seja, eu não estou falando de um relacionamento amoroso, mas daquilo que nos faz sentir-nos mais vivas eventualmente.
Recentemente, entrei numa crise existencial: como voltarei a ter tesão por homens que querem minha companhia de graça?
Se eu não os amo, tampouco eles a mim, por que cargas d’água vou desperdiçar a minha beleza conversando com um cara- por mais atraente que ele seja- que só quer jantar num restaurante chique comigo?
(Intencionando algo após, obviamente).
Não dá.
Simplesmente eu não consigo.
Então eu, que sempre fui bem complicada para sair jantar com qualquer homem e, atualmente, cobro no mínimo R$ 1.000,00 para isso, me sinto ainda mais solitária.
E não, não é porque não apareçam muitos caras dispostos a isso.
É porque a maioria que me surge, aqui em Passo Fundo, não me interessa.
Daí eu me recordo de um ex com quem fiquei um tempo ao fim do ano passado, justamente porque o tédio estava acabando comigo.
(Deve ser raro quem seja solteiro e não tenha dado uma voltinha pelo passado durante a pandemia).
Pois, eu também cometi essa gafe.
Não foi grande coisa, porque ex é ex, né?! A cada encontro a gente se lembra o porquê de ter terminado com a pessoa.
Mas dava para dar risada, passear, cozinhar...
Foi divertido, deu para fugir da angústia tediosa que me arrebatava.
Ele me ajudou de algumas maneiras, mas continuava sendo uma pessoa psicologicamente desorganizada.
O tempo passou, meus avós e mãe se vacinaram. Relaxei um pouco.
Tive um encontro ou outro com antigos parceiros de Brasília e nada, absolutamente nada mais após.
Estudo, leitura, escrita, séries, filmes, carboidratos, vinhos... Solitude e tédio!
Mas não um tédio suficientemente forte para fazer-me ficar, gratuitamente, com nenhum homem neste mundo.
Eu farei isso um dia, mas quando estiver apaixonada, com um emprego que pague minhas contas e ciente de que tal pessoa me admira e me respeita inteiramente.
Até lá, não: a pessoa tem que arcar com R$ 1.000,00 por hora, tem que ter beleza, educação e fineza ou eu afogarei minhas mágoas com um vinho ou negroni e 60 agachamentos por dia.
Minha derrière agradece!

Cláudia de Marchi
Passo Fundo/RS, 15 de junho de 2021.

domingo, 16 de maio de 2021

Eu sou o Brasil.

 


Para quem não me conhece muito bem, eu sou o Brasil.

O Brasil no dia do trabalhador do ano de 2021.

Aí nesta foto fui retratado pelo fotógrafo Carlos Alves Moura com a bela Catedral Metropolitana de Brasília ao fundo. Belíssima obra projetada por Oscar Niemeyer que, certamente, quando fez tal projeto, não imaginava que eu estaria tão mal no vigésimo primeiro ano do século XXI.

Em cima deste pequeno viaduto estão alguns dos meus habitantes, vestidos de verde e amarelo indo em direção a uma manifestação de apoio ao presidente eleito em 2018.

Eles querem a reabertura total do comércio durante uma pandemia que ceifou a vida de praticamente 420 mil brasileiros:

Amores de alguém.

Mães.

Pais.

Filhos devotados.

Amigos queridos.

Avós que viviam em paz e com saúde, que eram a alegria de seus netos, que faziam a macarronada que todos adoravam.

Todos, absolutamente todos eram pessoas importantes na vida de quem lhes amava.

Embaixo estão os excluídos, aqueles para os quais os que estão em cima (no viaduto e na ordem capitalista) gostam de estender a mão como caridade, mas desprezam quando um Governo ousa conceder-lhes alguma oportunidade.

Um grande problema que tenho é que a maioria dos meus cidadãos não gosta de estudar e de ler, por exemplo, a Constituição Federal em vigência, que foi promulgada em 1988, prevê como objetivos fundamentais da minha República Federativa, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; a garantia do desenvolvimento nacional; a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais e regionais; a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Mas o povo aí de cima- se é que conhece tais objetivos- diz que qualquer dessas ações por parte do Governo são típicas de governos comunistas - algo que nunca tive neste meu vasto território. O comunismo é o inimigo imaginário preferido dos meus habitantes! Ora, o governo que defendeu mais ferrenhamente a consecução de tais objetivos não conseguiu ampliar a reforma agrária, tampouco levou à votação o Imposto Sobre Grandes Fortunas (IGF), porque, para não ser impedido de governar antes do que foi, precisou negociar com a elite.

Eu entendo isso, pois eu sei que pobre não tem dinheiro para fazer lobby no Congresso Nacional de Brasília. Os lobistas do povo desprivilegiado são os representantes políticos de esquerda que muitos aprenderam a odiar e outros sempre odiaram, porque acham que seus R$ 10.000,00 de rendimentos mensais lhes aproximam mais do ricaço que ganha R$ 100.000,00 do que do cidadão que vive uma vida sem luxos com o parco montante de R$ 1.000,00 por mês.

O meu povo que não é bom com leituras e empatia, também é péssimo com cálculos matemáticos. Como disse um ex-BBB, economista, muito espontâneo e batalhador, o Gil do Vigor: eu estou lascado!

Essas pessoas aí debaixo não têm onde morar. Comumente elas vão pedir ajuda em frente aos mercados da Asa Norte ou de shoppings como o Conjunto Nacional. Todavia, em não raras vezes eu ouvi pessoas comentarem que elas têm casa fora do plano piloto de Brasília e que estão ali para se “aproveitarem” da caridade das pessoas.

A aporofobia nunca esteve tão na moda aqui nas minhas terras tupiniquins. O Ministro da Economia, ignorando o recorde de desemprego- 14,3 milhões - só falta fantasiar-se daquele personagem caricato e cômico, criado no século passado, o Caco Antibes, e afirmar que tem “horror a pobre”.

Inclusive, em 2019, o presidente disse que “quem gosta de pobre é o PT”. Eu sempre admirei muito a sinceridade deste homem! Ele sempre deixou seu despreparo nítido, seus preconceitos, seu ódio de classe, seus rancores, seu ódio à oposição e a democracia, bem elucidados. Ele chegou a dizer, há anos, em um programa de televisão que, se pudesse fecharia o Congresso.

Jair Messias Bolsonaro fez uma horda de fãs falando asneiras absurdas, sendo preconceituoso, atacando pessoas com outro viés ideológico, especialmente mulheres, dissipando ódio, louvando torturadores. Lembro-me muito bem que, certa vez, em uma entrevista, creio que na mesma em que disse que “o erro da ditadura foi torturar e não matar”, ele falou que para eu melhorar seria necessária a morte de umas 30 mil pessoas, mesmo que alguns inocentes perdessem a vida. Pois, vejam só, na primeira oportunidade- pandemia do coronavírus SARS-CoV-2- ele conseguiu números superiores ao décuplo da sua meta.

Sincero ele sempre foi, no entanto fico triste por sua personalidade vergonhosa ser a mesma de tantos brasileiros, como esses que fazem manifestação em prol de sua administração, mesmo que eu tenha me tornado uma espécie de párea no mundo graças a sua péssima, para não dizer genocida, gestão da pandemia.

Terminei voltando para o vergonhoso e deprimente mapa da fome do qual fui retirado em 2014. Tudo graças ao inominável (des) governo protegido e defendido pelas pessoas de cima do viaduto. Elas ignoram que os outros países do mundo estão voltando à normalidade, por terem privilegiado a vida, enquanto eu estou aqui, mal e triste de todas as formas: economicamente capenga, vendo meu povo passar fome, vendo as pessoas que ainda têm um emprego pagarem R$ 5,50 no litro da gasolina e mais de R$ 450,00 na cesta básica, enquanto seu representante ostenta churrasco com picanha de quase R$ 1.800,00 o quilo. Tudo enquanto eu tenho o maior número de mortes por Covid por milhão de habitantes entre os países mais numerosos do mundo.

Eu estou liderando o único pódio em que não deveria e nem almejava liderar: o da morte, o da desgraça, o do sucateamento da educação, o da miséria, o do descaso com meu povo, incluindo com aqueles que não possuem bom senso ou capacidade intelectiva para ver e admitir o quão desgraçados estão sendo.

Nunca fui tão desalentado e triste. Nunca vi tantas mortes em um exíguo espaço de tempo. E, vejam bem: eu testemunhei a colonização dos brasileiros natos- os povos indígenas- que estavam vivendo em paz suas vidas antes dos europeus brancos lhes colonizarem, abusarem e violentarem de todas as formas imagináveis. Sem que eu pudesse fazer nada!

Enfim, nesta imagem, eu estou com aqueles que vivem ali embaixo e carregam a esperança de que algo mude no mundo, pena de morrerem: de fome, de descaso, de invisibilidade, de morte matada ou dos efeitos orgânicos do álcool que lhes faz esquecerem-se das próprias mazelas e de toda a humilhação que vivenciam como indivíduos marginalizados pela sociedade branca, elitista e racista. Como os meus índios foram.

Gostaria de estar em cima, mas eu não me misturo com quem ajudou a me destruir e colocou-me nesta situação miseravelmente triste em que estou- me sentindo um miserável - pois vendo as misérias do meu povo sem poder fazer nada, vez que eles escolheram a inércia.

Cláudia de Marchi

Passo Fundo/RS, 11 de maio de 2021.

 

 

 

 


O FIM DAS NARRATIVAS DOS MEUS ENCONTROS SEXUAIS.

Quem me acompanha aqui, no meu Facebook ou no Instagram @claudiademarchiescritora2 deve saber que estou fazendo Mestrado em Letras na Universidade de Passo Fundo, bolsista CAPES, inclusive.


Pretendo seguir na vida acadêmica e voltar a lecionar, pois sou apaixonada pelo magistério.

Não irei mais postar aqui as narrativas dos meus encontros-quando houverem,- pois acho muito constrangedor que alguém com quem convivo academicamente tome ciência da minha intimidade sexual.


A Cláudia de Marchi acompanhante de luxo e antifascista continua, pois precisa ter orgasmos e pagar contas, mas a Cláudia que narrava seus encontros sexuais na internet não irá ressuscitar mais.


Beijos de luz!




terça-feira, 16 de março de 2021

A homoafetividade dos homens hétero.

 


A homoafetividade dos homens hétero.

 

Lamentável o quão machista pode ser uma criação e o quanto ela nos limita!

 

“Fulano não tem culhões!”

Referindo-se ao acovardado, como se mulheres não pudessem ser audaciosas e corajosas, apesar de não terem testículos.

 

“Coisa de mulherzinha”...

Para diminuir o outro macho quando ele age de forma mais afável, sensível e empática.

Inclusive quando ele chora, como se ter sentimentos e expressá-los fossem méritos ou, no caso, deméritos, exclusivos das mulheres.

 

Bem, não pretendo entrar aqui diretamente no âmbito da masculinidade tóxica, em que pese saibamos que ela é uma das mais tristes e pérfidas derivações da nossa educação machista e notoriamente limitante.

 

Fato é que das mulheres se espera afabilidade, meiguice, mansuetude.

 

Comumente as mulheres dotadas das virtudes que o patriarcado reservou aos homens são vistas como arrogantes, “cheias de si”, mandonas ou caracterizadas de forma grotescamente humorada como “ticudas[1], porque é o falo dá poder.

É o falo que dá virtude!

Logo, uma mulher senhora de seus desejos, financeiramente independente e que não se cala para um homem, pois lhe diz o que lhe desconserta, ao menos aqui no Sul, são chamadas de “ticudas” por alguns sujeitos que não conseguem sobreviver ao lado de uma mulher que sabe o que quer e fala a respeito disso.

 

Até psicólogos valem-se deste termo por aqui!

Lamentável.

 

Eu ainda não sei fazer churrasco, porque aqui no Rio Grande do Sul sempre encarregam um homem disso, logo, comumente, nossos pais não ensinam as filhas mulheres a fazer.

 

Lavar louça, por outro lado, a maioria das mulheres aprende quando criança.

Enquanto o pai toma cerveja com os amigos e parentes e a mãe, junto com as demais mulheres, limpa a sujeira derivada do churrasco feito- além de lavar as louças sujas, é claro!

 

E assim ocorre com muitas coisas!

Quando criança, viajando com meus pais no Brasil e na Argentina, o meu sonho era dirigir caminhão.

Meu pai mal teve paciência para me ensinar a dirigir o Verona que nós tínhamos lá em Uruguaiana, em 1997.

(E eu amaria ser uma caminhoneira escritora: lucrando, ainda que pouco, para viajar e me aventurar país a fora, afinal, ganhar muito dinheiro nunca foi um objetivo em minha vida, mas viver bem e prazerosamente, sim!).

 

Não raramente muitos homens demonstram pouca paciência ao ensinar coisas básicas às mulheres.

Eles se seguram, mas a irritação fica à flor da pele.

 

Enfim, a maioria dos homens gosta de b*****, não de mulheres!

Se é que gostam mesmo da referida; às vezes acho que há uma homossexualidade/bissexualidade enrustida na relação carinhosa que um homem trata outro. Há indulgência, privilégios, confiança! Quase tudo para haver amor...

Um lindo, puro e verdadeiro amor!

 

Isso sem contar a inaptidão de muitos em lidar com a dita cuja: encontrar o clitóris e etc..

Sobre o ponto G, então?! Têm aqueles que acham que é algo que fica fora, que aparece, não sabem ir a fundo, tocar lá dentro. E eles juram, eles têm certeza que agradam!

Diante da empolgação do infeliz fazendo tudo errado e se achando o máximo, chega a dar dó em dizer: “Criatura, vem cá que eu te ensino!”.

 

Sorte minha e de todas as mulheres que são fãs de penetração, pois no caso, basta interromper a sessão de fiasco do macho e procurar o seu prazer sem ofender o ego, normalmente frágil, da pobre criatura.

 

Bem, mas algo que sempre me chamou a atenção nos meus tempos de esposa e namorada que, acreditem, correspondem a maior parte da minha vida, mais especificamente dos 18 aos 34 anos vez que só após o ano de 2016 tornei-me acompanhante, foi o trato afabilíssimo que os homens têm um com os outros. Os machões se encontram e começa a bajulação: “Mestre, como está!?”; “E aí doutor!”, “Grande fulano, esse sabe das coisas!”; “E aí, grande professor!” e etc..

 

É um tratamento homoafetivo.

Cheio de reverência e respeito.

Algo que nunca vi no tratamento entre homens e mulheres, nem tendo sexo como escopo.

Aliás, às vezes penso que alguns homens se relacionam e gostam de mulheres exclusivamente por aquilo que elas têm e os homens não: a vagina.

Insiro aqui trecho de um livro da filósofa estadunidense Marilyn Frye, pesquisadora nos âmbitos sexismo, racismo, opressão e sexualidade, que abordou em seu livro “Políticas da Realidade: Ensaios sobre Teoria Feminista” de 1983, a questão de, a cultura heterossexual masculina ser homoafetiva. Transcrevo:

“Dizer que um homem é heterossexual implica somente que ele mantém relações sexuais exclusivamente com o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou quase tudo que é próprio do amor, a maioria dos homens héteros reservam exclusivamente para outros homens. As pessoas que eles admiram; respeitam; adoram e veneram; honram; quem eles imitam; idolatram e com quem criam vínculos mais profundos; a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender; aqueles cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam; estes são, em sua maioria esmagadora, outros homens. Em suas relações com mulheres o que é visto como respeito é gentileza, generosidade ou paternalismo; o que é visto como honra é a colocação da mulher em uma redoma. Das mulheres eles querem devoção, servitude e sexo. A cultura heterossexual masculina é homoafetiva, ela cultiva o amor pelos homens.”[2]

 

Outro dia postei em meu Instagram o que seria um prelúdio deste texto e um colega advogado chamou-me no “Direct” e relatou-me que saiu de um grupo de WhatsApp porque certa vez um conhecido escreveu que “mulher é o ser complexo e chato que fica em torno da b****”.

 

Nada pode representar mais a misoginia de muitos homens heterossexuais do que tal frase!

 

E sim, existem homens hétero e misóginos que são aptos a agradar-nos na cama.

Que nos cuidam e paparicam.

Mas que não nos ouvem. Que ignoram nossos escritos, nosso posicionamento, tudo o que lemos e sobre o qual falamos, porque eles já têm seus ídolos, e nós não podemos competir com eles. Eles são portadores de falo e por mais avantajado que seja nosso intelecto ele nunca será atraente ao homem machista, estes que de nós só querem o corpo, a beleza. Eles fingem que nos ouvem e que empatizam conosco, mas acreditam mesmo nos projetos do amigo falido, nas ideias do cidadão que sequer estuda para mudar de vida.

 

Seus ídolos têm falo, seus objetos de desejo têm vagina.

Para o seu azar e infelicidade, porque certamente eles seriam mais felizes se desejassem o falo daqueles que admiram. Deve ser muito tedioso ter que suportar uma mulher, seus assuntos, elucubrações e planos, quando não conseguem ouvi-las, compreende-las e admira-las, quando tudo o que desejam, de fato, são as suas cavidades.

Eis a triste história da grande maioria dos homens heterossexuais!

 

Sobre virtudes: existem homens covardes, existem mulheres corajosas; existem homens fracos e sem brio, existem mulheres audaciosas e impositivas; existem homens que sequer sabem colocar em palavras o que pensam, por medo ou covardia e existem mulheres que simplificam qualquer receio; existem homens indecisos e mulheres decididas e etc..

 

A questão é uma: não existe “coisa de homem” ou “coisa de mulher”: existe educação machista!

O máximo que um homem consegue fazer, por natureza, melhor do que uma mulher é urinar em pé.

 

O restante depende do caráter, do amor próprio e da vergonha na cara de cada um para superar o que lhes foi ensinado.

            O restante depende da desconstrução de conceitos e de pré-conceitos para que, quiçá, um homem possa tornar-se afetivo, não homoafetivo. Para, então, tornar-se um homem que admira mulheres, que compreende mulheres, que tem empatia por mulheres, que se solidariza por suas lutas, que torce por mulheres, que incentiva mulheres, um homem que deseja igualdade entre homens e mulheres e não seja mais um mero tarado medíocre que das mulheres só quer o corpo, a servidão, a necessidade de cuidado, como se, para ser homem, precisasse ser o herói de uma dama e não o seu entusiasta e admirador.

 

Cláudia de Marchi[3]

Passo Fundo/RS, 02 de fevereiro de 2021.

 



[1] Descobri essa caracterização aqui no RS, pois um conhecido contou-me que seu psicólogo a usou para definir uma de suas ex.

[2] O texto foi retirado da página http://artenocaos.com/educacao-sexual/a-cultura-heterossexual-masculina-e-homoafetiva-segundo-a-filosofa-marilyn-frye/ e, sem possuir o livro em mãos, não conseguimos dar-lhes uma bibliografia tecnicamente organizada.

[3] Texto publicado na revista Caos Filosófico, link: https://caosfilosofico.com/2021/03/13/a-homoafetividade-dos-homens-hetero/